Segunda-feira, Janeiro 30, 2012

A irritação

Quem assistiu à última reunião de Câmara podia dar por si como que transportado para um passado mais ou menos recente. Não um passado de grandes recordações, note-se. Ver o juiz João Ataíde, exaltado e de dedo em riste em direcção a Miguel Almeida - que lhe devolvia o gesto e a exaltação - não é, propriamente, hábito.
A coisa até começou assim para o 'sumida', a proposta de dissolução de uma empresa municipal - e poupo-vos os pormenores que a peça literária não tem interesse por aí além - assumida, não pelos políticos mas por um administrativo e a oposição mais interessada em discutir comunicados que outra coisa qualquer. 
Resumindo: para além dos irritados João e Miguel, Daniel Santos irritou-se... quer dizer, leu uma irritação qualquer que alguém lhe escreveu. Teresa Machado também se irritou um bocadinho - e, convenhamos, irritou quase toda a gente (Miguel Almeida incluído) com a indefensável defesa que fez do passado da dita empresa municipal. Na resposta, Carlos Monteiro irritou-se (e irritou-se à séria), Isabel Cardoso quase que se irritou... e António Tavares, careca de se irritar, levou pausadamente Miguel Almeida a pedir desculpas públicas a João Ataíde por um qualquer excesso... de irritação. 
Estava já o executivo a digerir o stress (menos João Armando, a quem estas irritações passam ao lado) eis que surge uma levemente irritada Ilda Simões - que depois deste episódio fica conhecida como "A Ghandi do Limonete": mas para quê tanta irritação, se todos são, afinal, bons amigos? Irra...!

Nota final: a reunião lá acabou, na paz do senhor, com os votos favoráveis de PS e PSD. Original foi a posição do movimento Figueira 100 por Cento... votem mas façam de conta que não estamos aqui!
Ou seja: o salão nobre dos Paços do Concelho que teve, em tempos, um fantasma, personalizado num deputado municipal do CDS... agora tem dois! Isto promete!


Nota suplementar (e actualizada): Uma semana depois deste episódio, foi o autor abordado por Daniel Santos, levemente irritado por aqui ter lido que o texto escrito não seria da sua (dele) autoria. Afinal é. Pronto, fica feita a correcção. Vale?