
Os Seis Dias Internacionais de Enduro (ISDE) terminaram há mais de uma semana, mas não os ecos suscitados pela prova que juntou, na Figueira da Foz, a elite da modalidade. E estes não merecem contestação: uma organização exemplar, aplaudida pela totalidade dos quase 500 pilotos e respectivas equipas, quer a nível desportivo, quer a nível das condições da prova.
No entanto, nem tudo correu bem, a avaliar pela falta de promoção - mais interna que fora de portas, valha a verdade - dos ISDE. È certo que a maioria dos órgãos de comunicação ditos generalistas pouco ou nada liga a provas de motos mas, ainda assim e sendo os ISDE a competição de "topo" que é... passou quase despercebida no país, fora dos "canais" habituais.
Confrangedor, isso sim, foi o apoio das entidades locais: não à realização da prova em si, "patrocinada" com umas dezenas de milhar de euros e as habituais facilidades logísticas. Nada disso. Confrangedor, imbecil até, foi a falta de visão dos iluminados do costume, excelsos promotores de festivais de tudo e alguma coisa mas que - perante uma (in)esperada semana de Agosto em pleno Outubro - fizeram o que melhor sabem fazer para promover a cidade: e... isto é... nada!

Tratar o ISDE como uma qualquer concentração tuning ou motard (obviamente, sem desprimor para estas) foi o acabou por acontecer: umas meras lembranças de ocasião, embrulhadas nos plásticos do costume, é pouco, muito muito pouco para a anunciada "invasão" de turistas. Visitantes que - e citem-se só alguns exemplos - de cá saíram maravilhados com as condições naturais e paisagisticas; com a afectividade das pessoas, calor humano, como é usual dizer-se, que o calor climático de quase 30 graus, Verão em pleno Outono, ninguém nem o mais adivinho, esperava!

A empresa municipal Figueira Grande Turismo falhou nas suas responsabilidades, é preciso dizê-lo. Falhou "em grande" e sem direito a desculpas. Um acontecimento destes prepara-se com antecedência, prepara-se fazendo a ponte entre a organização e a chamada sociedade civil - hoteleiros, comerciantes, mediadores imobiliários. NEm tempo sobrou para a promoção do afamado produto "sol e mar". Que, á falta de ajuda, se promoveu... sozinho! E, já agora, alguém sabe por onde andou a ACIFF (quem?) por estes dias? Oh, oh...!
Um acontecimento como este, com direito a promoções televisivas de horas pelo mundo fora, prepara-se, sei lá, com visitas guiadas a vários pontos do concelho. Com uma recepção à altura aos participantes, com um qualquer evento gastronómico, convidando os representantes de mais de 20 países que aqui "caíram" como sopa no mel. Prepara-se trabalhando. E trabalho, dos responsáveis turístico-institucionais foi coisa que não se viu. De todo!
Afinal, vai-se a ver que sobrou, perante a enchente de visitantes, foi... pasme-se... os lamentos de alguns! Lamentam-se nos restaurantes que o consumo não foi o que estariam à espera!!! Estes senhores, que em Outubro teriam estabelecimentos "às moscas" ou encerrados... no fim, ainda se queixam, pode lá ser? Estes senhores, que aproveitaram, isso sim, para subirem preços em Outubro, descurando, por outro lados, certos stocks - Sábado, antes da prova, até cerveja faltou - tem a "lata" de se queixarem! Estes senhores, certos senhores, são os mesmos que estavam mais preocupados com a falta de estacionamento para as viaturas dos habitués ou o encerramento ao trânsito de parte da avenida 25 de Abril... se o ridículo matasse é que era!
Os ISDE foram um sucesso, ninguém duvida. Como ninguém duvida qual o fado da Figueira da Foz, escrito, cantado, gasto, de tantas vezes repetido! Parece que se chama "combate à sazonalidade". Ah ah ah ah... é para rir?