Segunda-feira, Maio 06, 2013

Assembleia Magna


O título deste texto explica-se em poucas linhas. Na Universidade de Coimbra, o órgão máximo entre os estudantes é a Assembleia Magna. Lá se discute tudo e mais alguma coisa, lá se propõe tudo e mais alguma coisa e lá se vota… já perceberam a ideia… tudo e mais alguma coisa. Depois, do tudo que é aprovado na Assembleia Magna, cabe à Direcção-Geral da Associação Académica cumprir, por mais estapafúrdia que seja a proposta. Claro que há maneiras de dar a volta ao texto, mas valha a verdade que tem imperado o bom senso – aqui e ali com umas iniciativas mais radicais que não passam disso mesmo.

Ora, lembrei-me da Assembleia Magna por causa das decisões camarárias relacionadas com a extinção da empresa Municipal Figueira Grande Turismo. Agora, acabada aquela, parece que vai haver um serviço municipal do dito ou coisa que o valha. Contra a opinião e o desejo da minoria PS que gere o executivo (ainda mais minoritária com a opinião contrária de Isabel Cardoso) a oposição lá propôs e fez aprovar a sua ideia. Claro está que o Presidente da Câmara torceu-se um bocadinho até arranjar maneira de cumprir o que lhe foi imposto e o conselho de administração – quem manda na coisa, vá – ficou entregue a Ataíde, Monteiro e Tavares.

Os três bem tentaram que os autores da proposta a ela se associassem – por actos, não por palavras – mas todos (adivinhem lá) recusaram! Consensos, para o PSD, “só” no país, está bom de ver. Miguel Almeida parece que admitia aceitar um cargo, mas só se fosse o de presidente do turismo local. Dos 100 por Cento então, nem vale a pena falar que quem não tem tempo para ler papéis, muito menos teria para ser vogal ou equiparado da nova estrutura…

Última nota: dei aqui comigo a pensar com os meus botões que a recente devolução de pelouros da vereadora Isabel Cardoso foi uma iniciativa muito pouco original, já que de há 16 anos a esta parte que faz escola na autarquia da Figueira da Foz, seja a retirada de competências delegadas ou a entrega das ditas.

Não me lembro – mas pode ter acontecido – coisa parecida nos mandatos de Aguiar de Carvalho, até 1997. Depois veio Santana Lopes, esse visionário que não tardou a dar roda de incompetentes aos serviços municipais, aproveitou para por nos lugares de direcção quem bem quis e lhe apeteceu e, no fim do ano, fez as pazes com os trabalhadores oferecendo-lhes um mega-jantar de Natal. 

Foi também Santana Lopes que pôs Casimiro Terêncio e Daniel Santos à janela a ver quem passava, retirando-lhes as competências e acusando-os de falta de ritmo; depois veio Duarte Silva, e de Paulo Pereira Coelho a José Elísio, votações em sentido contrário à maioria, competências entregues ou retiradas, foi um ver se te avias. Agora, com o mandato a caminhar para o fim, nem João Ataíde se livra desta espécie de maldição que pende sobre as equipas camarárias na última década e meia.

Há quem veja, nestes acontecimentos, vitalidade. Da democracia, ao que consta. Eu só consigo ver trapalhada, e da grossa. E vocês, caros amigos leitores?

Terça-feira, Abril 30, 2013

Três crónicas

Três crónicas já publicadas na página Figueira na Hora... onde opino, semanalmente, aos Domingos: 




28 de Abril de 2013



Não há fome que não dê em fartura…

Há coisa de 10 dias atrás, os jornalistas da terra (este vosso amigo incluído) foram convidados a relatar e relataram a (futura) apresentação de um livro chamado "Materiais para a história da Figueira da Foz", da autoria do arqueólogo Santos Rocha (1853-1910).

A coisa parece que vai ter alguma pompa e circunstância, porque, afinal de contas, e segundo o relato relatado, trata-se de uma reedição da obra - 120 anos depois da primeira e 60 depois da segunda. Logo, uma terceira edição (estando as restantes esgotadas, logo indisponíveis) de um homem que, arrisco dizer, deverá ser o mais homenageado de sempre na história da cidade, já que tem uma rua, um museu e dois bustos em seu nome (Aguiar de Carvalho anda lá perto, tem pelo menos duas ruas e um busto e teria incontáveis placas inaugurativas, se na altura fosse moda, que não era).

Ora, vai-se a saber, e o relato por nós relatado foi, por assim dizer… eehhh… impreciso, to say the least, como costumam argumentar os nossos amigos ingleses e norte-americanos.

É que a dita terceira edição – a tal que vê a luz do dia 120 redondos anos depois da primeira, não é a terceira… mas sim a quarta! Há coisa de três anitos atrás o editor e livreiro Miguel de Carvalho, com o apoio da divisão de Cultura da Câmara Municipal, (re)editou a obra por ocasião dos 100 anos (estes mais redondos ainda) da morte de Santos Rocha.

Sim, já sei (mas só agora): a edição camarária foi um facsimile da primeira e original edição. E, portanto, parece que não conta como tal. É que sendo um facsimile uma espécie de fotocópia (e estou aqui estou a ir ao dicionário*, porque estas comezinhas questões chateiam qualquer tipo, por mais bem intencionado que seja), não se compara, ó gentes (!) com uma verdadeira reedição, promovida por uma sociedade histórica da qual nunca tinha ouvido falar (mas o erro, outro, até pode ser meu), com direito a editora xpto e patrocínio do Casino Figueira.

* Uma edição facsimile ou facsimilar é uma edição nova (frequentemente de um livro antigo) que apresenta uma reprodução exacta da edição original, incluindo fontes de letras, escala, ilustrações, diagramação e paginação. (fonte: Wikipedia)

Estamos portanto esclarecidos? EDIÇÃO NOVA! E como o que interessa, nos livros, é o seu conteúdo – e não o aspecto, que ao leitor médio tanto lhe faz que o livro seja debruado a ouro, ou com um design magnífico ou a duas cores, como é o caso, ainda por cima cópia exacta da primeira edição – caso arrumado!

Resta só dizer que aqui está mais um exemplo (e a conta já vai em dezenas) de que na Figueira não basta fazer. De preferência é melhor fazer o mesmo… mas duas vezes! Ou três. Ou quatro. Mas só uma não pode ser. E se for à mesma hora de um mesmo dia, melhor. Depois sobram birras dos dois lados (leia-se público e privado), incontáveis horas em discussões estéreis e vaidades indisfarçáveis. Arre gaita!




21 de Abril de 2013

A paz, o peixe e a cantiga

Nota mental: nas notícias, os títulos querem-se curtos. Na opinião, não. É ao gosto de cada um. E assim, o título desta crónica deve antes ler-se “o João é da paz, o Miguel perdeu opeixe e o Carlos avô da cantiga”. Comecemos, então…

Quem elegeu o João, vai para quatro anos, esperava, certamente, uma mudança radical, pelo menos de atitude, isto quando comparada com a dos dois anteriores mandatos.
Um juiz, logo, as doses certas de autoritarismo – tantas vezes necessário – mas também de compreensão pelos problemas de cada um, do comum cidadão, quanto mais não fosse por ter integrado uma qualquer comissão de direitos humanos.

Afinal, saiu-nos assim uma espécie de julgado de paz. Com excepção dos últimos meses – por razões eleitorais ou porque a paciência tem limites – temos assistido a uma transformação, ainda que ténue. Mas, para o que realmente interessa, tudo em paz. Eu, que até sou adepto de murros na mesa, quando estes se impõem, confesso-me desiludido. Porque, no fim de contas, garotos políticos e outros imprestáveis da sociedade, vão continuar alegremente a mandar neste Portugal de rastos. E por aqui me fico, que muito haverá, certamente, para dizer nos meses que se avizinham.

Já o Miguel ensaiou, há uns meses (ou será que já passou um ano, ou mais?) assim como quem lança o barro à parede a ver se pega, um logótipo do qual já poucos se lembram. Foi tal o (in)sucesso da iniciativa – ainda Miguel era possível candidato a candidato, recusando símbolos partidários por perto – que aquilo que lembrava, vagamente, um coração com um peixe e outros símbolos da Figueira lá dentro, desapareceu de circulação. Pena tenho de não o ter guardado para o poder mostrar – que a memória das pessoas é curta – mas nada… puff!! Foi um ar que lhe deu!

O peixe foi agora trocado por uma dupla onda, essa sim que aparece a suportar – ou a varrer, porque, nunca esqueçamos, o poder do mar é imenso – a candidatura. Vale a Miguel a vantagem de gostar a sério da cidade onde nasceu e cresceu. Mas será que isso vai valer tudo? Veremos!
Falta o Carlos. O Carlos é um desconhecido da maioria das pessoas, a não ser daqueles que, em alguma altura da vida, na Figueira, ou noutros locais do País, com ele conviveram, pessoal ou profissionalmente. O Carlos é um distinto professor universitário em Aveiro, psicólogo de renome, antigo comentador de programas televisivos na sua área, e eu, que o conheço vai para mais de 20 anos, reconheço-lhe, sem dúvida, grandes capacidades profissionais.

Mas o Carlos - que se prepara para ser indicado oficialmente como candidato camarário do movimento de cidadãos que já foi 100 por Cento – sujeitou-se a ser entrevistado, como quem se candidata a um emprego, antes de ser (o) escolhido. Isto a fazer fé nas viperinas línguas cá da terra!
O Carlos não é político, nunca o será. Andou por aí, há uns anos, a exercitar a cidadania em apoio a um tal de Arrobas da Silva, um advogado alfacinha que também tinha em mente – dizia ele - chegar a presidente da Câmara da Figueira, mas pouco mais.

E temo, a concretizar-se a candidatura, o Carlos vai ficar na história, (se a história o lembrar) como bode expiatório do canto do cisne de um projeto, hoje sabemos falhado, que muito prometeu pela diferença em relação aos partidos. Um movimento que, precisamente, onde mais se destacou, foi por pecar por omissão, ou dito por outras palavras, por na hora da verdade fazer igual ao que os partidos têm de pior.

Resta explicar porque é o Carlos avô da cantiga: sendo o filho autor do inenarrável hino do tal movimento, o Carlos é o avô! Piada seca esta, admito. Mas os tempos atuais também não dão vontade nenhuma de rir…!


14 de Abril de 2013

Dia trágico

Quarta-feira, a meio da tarde, foi mais um dia trágico para quem, habitualmente, anda no mar da Figueira da Foz. Desta vez não foi um cargueiro, não foram embarcações de pesca, antes o naufrágio de um veleiro de tripulação estrangeira e tragédia das tragédias, uma embarcação da Polícia Marítima, aqueles que rapidamente acorreram a salvar os náufragos.

Quem viu – e poucos foram os que viram, apesar de não faltar por aí, agora como na altura, quem, arrogado de conhecimentos que não possui, se entretenha a fazer comentários sobre causas e consequências – assustou-se com o que se passou: mar alteroso, pouco depois da mudança de maré (que começava a baixar com uma corrente de meter medo até aos mais experientes), um veleiro sem mastro a desaparecer e aparecer ao sabor das ondas e uma lancha da autoridade marítima que, subitamente, batida por uma onda, empina na vertical e cai desamparada.

Este facto fez, eventualmente, a diferença na operação de socorro que já decorria: naturalmente que uma vida é uma vida, seja alemã, seja portuguesa. Mas o sucedido deixou, imediatamente, marcas de emoção extrema nos salvadores, pela proximidade ao agente desaparecido no mar, por ser um camarada de armas, companheiro diário de trabalho, parceiro de alegrias e tristezas.

Não foi por isso, note-se, que o socorro foi menos efectivo, com bombeiros, médicos, enfermeiros e muitos populares envolvidos na operação.

O que saltou à vista no Cabedelo foi, como noutras praias concelhias, a falta de acessos ao areal. Não se trata, agora, de surfistas e outros amantes de desportos de ondas a terem de galgar calhaus para chegar à praia ou uma duna atravessada por uma passadeira pedonal. Trata-se de pensar, de uma vez por todas, porque raio não há uma rampa ou duas ou três, que permitam acessos diretos a viaturas de socorro, no caso entre o campo de futebol da Gala e o molhe sul. Podia não fazer toda a diferença, mas ajudava. Se calhar, não obrigava os socorristas a terem de correr a pé, pela praia, centenas de metros, para chegar aos náufragos.

Última nota para os campeões dos ‘bitaites’, entre os quais alguns jornalistas: quem não conhece os procedimentos de socorro, de emergência médica e operacionais, é favor ler ou perguntar a quem de direito antes de desatar a mandar “postas de pescada”! É mais um favor que fazem à comunidade!


Sábado, Outubro 27, 2012

Solidariedade ou idiotice?


(Texto publicado na edição de 26 de Outubro do semanário "O Figueirense")


Nas últimas semanas foram anunciadas na Figueira da Foz pelo menos três iniciativas, supostamente solidárias, com alguns aspectos comuns, a saber:

1 – Decorriam à mesa de jantar
2 -  Promoviam, cada qual, a responsabilidade social de uma empresa
3 – Custavam, por cabeça, uma pequena fortuna, nos tempos actuais de crise
4 – Tinham o apoio da Câmara Municipal

Anunciados e realizados os dois primeiros repastos, um terceiro foi marcado precisamente para o Dia Mundial Contra a Pobreza e Exclusão Social. Causa nobre esta, a de juntar à mesa comensais dispostos a largar dinheiro à séria para ajudar os mais pobres. O lucro do jantar – assim mesmo, o lucro -  descontados os custos das refeições, do serviço, ingredientes e afins – seria depois entregue a uma instituição particular de solidariedade social, previamente escolhida.

Temos, portanto, três jantares; três empresas; três instituições… e um elo comum a tudo: o apoio da senhora Câmara Municipal. É de mim ou há aqui um padrão? Então, de repente, três empresas lembraram-se de que possuem responsabilidade social e, vai daí, promovem jantares para ajudar instituições? Lembraram-se todas ao mesmo tempo?  Ou alguém se lembrou por elas?
E qual a natureza do apoio autárquico, que apoio é este, que até tem direito a brasão do município na promoção dos eventos?

Ora, nesta cidade basta fazer meia dúzia de perguntas ou então escrever – e publicitar – duas dúzias de linhas que as respostas aparecem. Assim do estilo ‘empertigam-se as comadres, sabem-se as verdades’, variação muito a propósito de um célebre dito popular.

Ficámos então a saber que o apoio da autarquia não é bem um apoio. O município dá o brasão, dizem, para chamar clientes e o senhor Presidente da Câmara comparece como que a dar um cariz institucional ao evento… e, de caminho, cativar mais uns quantos potenciais participantes.

Ou, como diz, não sem piada, um amigo meu, o senhor Presidente da Câmara faz o papel dos ex-concorrentes da Casa dos Segredos: quando abandonam o reality show transformam-se, do dia para a noite, em estrelas de cartaz de discotecas de norte a sul do país, qual chamariz para noctívagos inveterados!

Claro que este ‘apoio’ camarário tem uma contrapartida, pois tem, embora assim a modos que invisível à vista desarmada: é que o que passa para fora é o apoio, mesmo que de apoio nada tenha e o presidente da Câmara é solidário com os mais necessitados! Mas quem foi o ideólogo, o promotor, quem escolheu as instituições a apoiar, quem foi o idiota que se lembrou do estratagema da solidariedadezinha? Ou, como escrevi noutro fórum, ‘comer lagosta para dar pão aos pobres’. E o que poderia correr mal nesta estratégia, qual azar dos Távoras? A resposta é simples e singela: um jantar à borla!

Para o mesmo dia da tal celebração contra a Pobreza e Exclusão Social não é que um grupo de amigos, empresários de restauração, se lembrou de promover um repasto, gratuito, juntando à mesma mesa, por convite, os mesmos potenciais clientes do jantar solidário? Não é que uma entrega de prémios - cozinhados à pressão – resultou no adiamento, no cancelamento da iniciativa solidária apoiada pela autarquia? Então não é que até o Presidente da Câmara – e, com ele, outras figuras da terra – trocou de jantar, mandando às urtigas a solidariedade com os mais pobres, a tal paga a peso de ouro?

O episódio, caro leitor, tem, no mínimo, que dar que pensar. Porque não só não faz sentido nenhum – é, até, um insulto - andarem empresas a promoverem-se à custa da solidariedade para com os que pouco ou nada têm, como as autarquias - que possuem, essas sim, efectiva responsabilidade social – têm de ter objectivos perfeitamente definidos nessa área (como noutras) e não andarem ao sabor das vaidades de uns quantos.

Juntar dez, cem pessoas à mesa, a dezenas de euros por cabeça, para entregar um cheque a uma instituição, descontados os custos do jantar é um disparate tamanho, especialmente nos dias que correm. Mais valia juntar dez restaurantes – que os há ao pontapé - e fazerem uma ceia solidária, dez ceias solidárias, cem jantares solidários, um refeitório social, algo que perdure e que ajude quem efectivamente precisa. De comer. 

Quarta-feira, Outubro 17, 2012

Comer lagosta para dar pão… aos pobres!


Anda por aí uma moda, espera-se que passageira como todas as modas, chamada “jantares de solidariedade”. Tem como suporte a suposta responsabilidade social das empresas e como objectivo doar fundos a instituições do concelho após um incerto número de comensais se alaparem e lambuzarem à mesa.

Nos últimos tempos, neste concelho, sem que se perceba quem promove o quê, realizaram-se pelo menos dois repastos e para hoje estava marcado um terceiro com o intuito de assinalar o Dia Mundial contra a Pobreza e a Exclusão Social. Estava. Porque, ontem, sem explicações, o evento foi cancelado. Adiado. Para um dia destes. Com pobreza, que essa continua e vai aumentar, ai isso de certeza!

O menu

Se um qualquer cidadão com acesso à Internet facilmente dava de caras com a informação sobre o jantar, também rapidamente estupidificava perante três – digamos – pormenores: primeiro, o preço por cabeça (35 euros); depois, o apoio (?) ao evento da senhora Câmara Municipal da Figueira da Foz – a que título, pergunta-se, PORQUÊ?  Terceiro, o menu, a ementa, a lista de iguarias – ao lado reproduzida – que incluía duas entradas, o prato principal ou o finório aperitivo de sobremesa antes das ditas guloseimas.

Está tudo doido? ESTÁ TUDO DOIDO? Um jantar a 35 euros por pessoa – sem bebidas, que não constam no cardápio – para combater a pobreza? Uma refeição para promover “a luta contra a exclusão social”, dizem eles. Gambas temperadas com baunilha, sardinhas com escabeche de espumante, o quê, pá? Até apetece dizer asneiras…!

Será que os promotores sabem quantas refeições comem os destinatários desta solidariedadezinha com 35 euros? Arrisco praí umas 20! Saberão que 35 euros é, mais coisa menos coisa, um quinto do rendimento de muito boa gente neste concelho? Se soubessem, tinham vergonha na cara!

Os lucros

Pondo de lado o novo-riquismo da ementa, atente-se a outro pormenor: os “ganhos” do jantar, lê-se no cartaz ou os “lucros”, como se lia noutro lado qualquer, revertem para a dita associação. A qual, ao que consta, não tem culpa nenhuma nesta situação. Fizeram-lhe a proposta e ela aceitou.

Os “ganhos”, “lucros” ou seja o que for, presume-se o saldo que fica, descontado o custo da refeição e outros conexos, sim? Ou o grupo hoteleiro que a promove oferece tudo, os ingredientes, a confecção, a sala, o ordenado do pessoal de serviço, etc etc etc? A coisa é 35 euros x o número de comensais = a lucro para a associação ou há mais pobreza encapotada na iniciativa do que aquela que tanta solidariedade junta, supostamente, pretende combater?

Indigne-se quem quiser mas esta história de dar lagosta a comer a uns quantos para outros poderem comprar pão para os pobrezinhos tem de acabar. Fica mal. Fica mais mal ainda quando promovida, apoiada, por gente insuspeita, com reais responsabilidades na nossa sociedade.

post scriptum – Já se disse acima que o jantar acabou cancelado. Parece que os destinatários da coisa, empresas e particulares, as figuras do costume, “trocaram” o combate à pobreza por outro repasto, este bastante mais em conta, porque era de borla. Um prémio gourmet qualquer, atribuído ao actual provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa - ele há cada coincidência! - na mesma marginal da Figueira, mas uns quilómetros mais adiante. 

Tudo junto no dia de combate à pobreza! Alguém se lembrou, ao menos, de convidar uma família necessitada, uma que fosse, para jantar? Já vi que não!

Sábado, Outubro 13, 2012

Todos rurais, alguns anormais


A saga da pronúncia dos órgãos municipais da Figueira da Foz sobre a reorganização administrativa das autarquias locais culminou sexta-feira com a aprovação, na Assembleia Municipal (AM) de uma proposta que, basicamente, faz desaparecer quatro das 18 freguesias do concelho.

Fosse a proposta um documento sério, coerente, bem elaborado, reflectindo nos seus considerandos efectivo trabalho de campo e posições políticas e técnicas devidamente fundamentadas e esta análise esforçar-se-ia por lhe corresponder em objectividade. Como é difícil, impossível, criar um texto mais ou menos sério tendo por base uma estapafúrdia anedota, a hipótese única é jogar com as mesmas armas daqueles que se acham os únicos inteligentes do burgo. Difícil é mesmo saber por onde começar... (quem não quiser ler o relambório todo, pode sempre passar já às conclusões).

Preâmbulo rapidinho

Voltemos só um bocadinho atrás para explicar que a sessão da AM era a conclusão da primeira reunião, suspensa depois do presidente do dito órgão ter demonstrado à populaça e aos excelentíssimos senhores representantes do povo e por ele (o povo) eleitos, inexcedíveis capacidades para a ginástica acrobática, dando, por um punhado de vezes, o dito por não dito no que à condução dos trabalhos diz respeito.

Depois da proposta do PS - que, basicamente, mantinha tudo na mesma, não fosse o pequeno pormenor de deixar, sem luta ou contraditório que se visse, que uns quaisquer burocratas da pomposa unidade técnica acabassem com seis freguesias só porque sim - ter sido chumbada pela santa aliança PSD / Movimento Figueira 100 por Cento e os dois presidentes de junta independentes do sul do concelho, idêntico destino teve a (quase) idêntica proposta do representante do Bloco de Esquerda.

Quase cinco horas de reunião e a sessão foi então suspensa, supostamente para ser encontrada, no prazo de três dias, uma solução de consenso, uma solução aberta a discussão, algo, não interessava o quê, que ultrapassasse o suposto impasse. Três dias. O tempo necessário a que os caciques do costume cozinhassem uma solução, apimentada com promessas à esquerda e à direita, um punhado de iluminados a decidir por um concelho inteiro, não uma reforma que nenhum político quer, antes uma justificação que lhes sirva os interesses partidários e/ou eleitorais, num futuro próximo.

A proposta

O documento que chegou à AM, apadrinhado pela santa e improvável aliança que mistura políticos, outros que juram que não são políticos e uma confortável maioria de gente que não sabe o que ali está a fazer, a não ser dizer "sim senhor doutor" ao responsável de armazém da Misericórdia de Lisboa, reduz as seis freguesias a abater pela unidade técnica para quatro, começando por reclassificar Tavarede como freguesia não-urbana, que é como quem diz... rural!

Esta reclassificação é um pedido e nele se baseia o resto - pelo menos no que a São Julião da Figueira da Foz diz respeito (já lá vamos) - da proposta do tal sagrado bloco subscritor.
Explique-se, logo a abrir, que a tal unidade técnica criada pelo Governo, classificou duas freguesias do concelho (São Julião e Tavarede) como urbanas e as 16 restantes como não-urbanas, dando logo o sinal que o disparate começa na fonte. Depois, impôs à Figueira da Foz redução de 50 por cento das urbanas e 30 por cento das não-urbanas, isto a fazer fé no que lê na proposta.

Ora, a santíssima trindade, com o objectivo das quatro freguesias no horizonte, reduzindo a reforma a uma mera conta de mercearia, tratou logo de despachar o primeiro acordo, interno: Tavarede até pode voltar a ter parelhas de bois a atravessar o velho casco urbano, até pode promover cooperativas de lavradores nas hortas da Várzea, até pode passar a encontrar um agricultor em potência - Ó Maria, está um lindo dia, pega na enxada e vamos cavar umas batatas! - em cada urbanização da freguesia (e há-os aos milhares) mas é intocável, enquanto território, para todos aqueles que renegam, abjuram os partidos políticos e que têm como supremo objectivo ver o seu reduto autárquico - que sonham um dia gerir - desagregado seja de quem for!

Com os dois presidentes de junta independentes foi mais fácil, a acreditar nas viperinas línguas do burgo: uma ilha para um e a promessa de não incomodarem ao outro.

Depois foi convencer uns quantos a ajudarem na agregação de duas freguesias socialistas condenadas à partida desse por onde desse - a menos que os tribunais reduzam a legislação a nada - ficando Brenha integrada em Alhadas, Borda do Campo no Paião e a social democrata Santana em Ferreira-a-Nova, uma surpresa só para quem não liga a equações partidárias, que têm sempre múltiplas soluções. 

Três freguesias não urbanas despachadas – com a metodologia de que as mais populosas agregam as que têm menos gente - faltava a questão urbana: e, aí, os proponentes esqueceram a metodologia da população e puseram uma mais pequena a agregar uma maior.

Mas, numa primeira versão que nunca chegou a público, a ideia era agregar São Julião com a “rural” Vila Verde, com o argumento de ser uma zona ribeirinha contínua…!  Consta que haveria até quem defendesse que o administrador do porto da Figueira da Foz daria um bom presidente de junta, já que gere mais de metade da margem do rio… em zona onde o comum dos mortais não entra, sequer!

A versão definitiva (segunda escolha?) juntou então São Julião a Buarcos e, também aqui, sobram argumentos e disparates: parece pois que faz todo o sentido, porque São Julião estendeu-se, a norte, para Buarcos. Esquece o relator (ou será co-autor?) do texto, professor quase universitário do politécnico, que se São Julião se estendeu para algum lado foi para Tavarede… freguesia, essa sim, que fica a norte – ou nordeste – da cidade, se exceptuarmos a parte da avenida marginal, antes de se chegar a Buarcos. Mas como a ‘troika’ da AM já tinha reclassificado a terra do Limonete como rural… não dava jeito para o argumento!

E como, supostamente, só houve três dias para preparar a proposta – isto pelo calendário gregoriano, que a avaliar pelos zun-zuns que falam de um ou três meses de trabalho, há gente na AM que se deve reger por outro calendário qualquer, seja ele asteca, maçónico ou lunar – a justificação de São Julião passar a integrar Buarcos ficou-se por um parágrafo generalista que fala de supostas vontades dos indígenas de um dos lados – que não de Buarcos - apregoadas ao longo de anos, pela extinção da freguesia.

Fala também que a nova freguesia se chama Buarcos e fica sediada naquela vila. Não muda de nome e o edifício da junta não sai do sítio (nem com a promessa de uma nova localização). Mas a de São Julião também não. Fica de porta aberta mas sem executivo. Para não se perder a proximidade aos fregueses. Estão a brincar, não estão?

A votação

Atalhando – que quatro horas de gritaria (mas também de silêncios cúmplices) davam para escrever um tratado europeu – foi a proposta a votação, aprovada com 22 votos a favor, 19 contra e uma abstenção.

Dissecando a coisa, destaque para os autarcas de Buarcos e São Julião (ambos votaram contra), para a presidente da junta de Santana (que é do PSD mas foi fiel àquilo que a sua assembleia de freguesia decidiu e mandou a converseta às urtigas) e, entre outros, ao voto favorável do autarca “ou vai ou racha” de Lavos a quem prometeram a ilha da Morraceira, desanexada a uma freguesia (Vila Verde) que, afinal de contas, passa incólume a esta reforma!

Destaque, também, para obreiros da “coisa”, ou seja, da possibilidade da proposta ter passado: dois presidentes de junta (ambos do PSD) cuja coerência foi de tal ordem que foram mandatados pela sua assembleia da freguesia para se oporem à reforma ou a qualquer agregação (do seu território ou de qualquer outro) e acabaram a votar a favor! Ah, heróis!

Em CONCLUSÃO:

1 - Caso ninguém tenha percebido - na proposta do PSD e Amigos - São Julião começa por aparecer como única freguesia urbana do concelho inteiro. Como depois é agregada por Buarcos (não-urbana), deixa de haver freguesias urbanas no concelho inteiro. Ou seja, somos todos rurais. Não digam que isto não abre um mundo de possibilidades, seus ingratos…

2 – Se os especialistas alegam que a política do actual Governo vai fazer o país retroceder 20 anos, este ‘triunvirato’ figueirense consegue mais. Muito mais. Consegue fazer a cidade retroceder mais de 300 anos, antes da revolução industrial ou mais além, altura em que um agricultor inglês inventou uma máquina de semear. Sim, garantidamente, nessa altura o território daquele que é o actual concelho era todo rural!

3 – O Partido Socialista que não se fique a rir porque, ao demitir-se de apresentar qualquer proposta – na Câmara, primeiro, ou na Assembleia – mostrou a fibra de que é feito. Trabalhar? É com os outros. É mais fácil por advogados e juristas a advogar a inconstitucionalidade da lei, fiando-se que é assim que tudo isto vai acabar. Ao menos podiam ter lido o que cada uma das 18 assembleias de freguesia manifestou, já que entenderam cavalgar esse argumento, para se manifestarem contra a suposta vontade do povo em extinguir, fundir ou agregar fosse o que fosse. Como se percebeu mais tarde, nem isso fizeram…!

4 – A Assembleia Municipal de 12 de Outubro de 2012 fica como marco na história do Movimento Figueira 100 por Cento: é a data em que o movimento, como dizer isto sem chocar ninguém… pois bem…faleceu!

Com efeito, os 100 por Cento – já conhecidos pelos “25 por Cento”, tal é a debandada nas hostes – conseguiram, no espaço de uma semana e duas sessões não apresentar qualquer proposta (mesmo depois de um dos seus elementos mais activos andar pelos jornais a divulgar as suas ideias); não só não apresentaram propostas (o que não é sequer novidade, com base no registo que levam de três anos de actividade autárquica) como, praticamente, entraram mudos e saíram quedos, fora uma ou outra intervenção, bem elaborada, sim, mas sem qualquer substância, na prática, que não fosse a redução de seis para quatro freguesias

Quatro será, aliás, o número de militantes que se mantém fiel à cartilha original do movimento – aquela que reza “não somos políticos, não temos os vícios dos partidos e blá blá blá) – e que, a partir do momento em que se aliam a um partido político, ardeu! A cartilha e tudo o resto. Se há uns anos o CDS-PP era conhecido pelo partido do táxi, na Figueira o seu equivalente actual é o Movimento 25 por Cento. Cabem todos num táxi e este sai da Praça 08 de Maio (também conhecida como Praça Nova de Buarcos). 

Domingo, Agosto 12, 2012

Afinal havia outra... medalha!




Estava o mundo do desporto de olhos postos em Londres 2012 e, afinal de contas, decorria na Figueira da Foz outra prova desportiva de idêntica importância, pelo menos para os nela directamente envolvidos. 

Falamos, obviamente, da impressionante corrida ao lugar de Chefe de Gabinete do senhor Presidente da Câmara ,  vago desde que o anterior titular do cargo decidiu dedicar-se à pecuária! 

Depois de muito "diz que disse", especialmente em conversas de café e de outros estabelecimentos comerciais na área que vai da rua Direita do Monte à avenida Saraiva de Carvalho, com passagem pela Praça Nova, a vitória e respectiva medalha sorriu a Tiago Castelo Branco (TCB), uma surpresa!

Ele que até aqui tinha como melhores resultados um 8º lugar na lista do PS para a Assembleia de Freguesia de São Julião e umas quantas noites mal dormidas , num sofá, durante a campanha autárquica de João Ataíde. 

Pelo caminho, mas com um desempenho que ainda lhes valeu uma ida ao pódio, ficaram Pedro Malta, o antigo administrador da Figueira Grande Turismo que, à primeira oportunidade, se pirou para a ARH Centro - até perceber que essa mesma entidade faz parte de uma lista de organismos extintos, a extinguir ou a fundir pelo actual Governo - e Diogo Serôdio, um perfeito desconhecido embora produto da melhor escola socialista, onde tem como treinadores José Iglésias e João Carronda...! Dizem! 

A inesperada vitória de Tiago Castelo Branco - já celebrada com uma serenata da Imperial Neptuna Académica junto à Fonte Luminosa, mesmo por debaixo da janela do gabinete do Presidente da Câmara que se encontrava sozinho no edifício - deixou incrédulos os restantes três elementos da vereação, todos de férias quando a história se soube. 

O vencedor subiu ao lugar mais alto do pódio vestido a preceito - i.e. envergando o verde e amarelo da Figueira da Foz - mas os críticos da (suposta) nomeação depressa lembraram que, no interior do PS e numa altura em que o líder concelhio, João Portugal, dava entrevistas a torto e a direito, zurzindo em João Ataíde, Tiago Castelo Branco também dizia do Presidente da Câmara o que Maomé nunca disse do toucinho! 

Uma segunda versão - das muitas em que os socialistas locais são, habitualmente, ferteis - reza que a vitória de TCB só aconteceu após o regresso de João Ataíde de uns dias de descanso em Marrocos, aludindo a qualquer coisa estranha que o autarca por lá terá comido, ou pior, fumado! 

Próximos capítulos é que não deverão faltar...! 

Segunda-feira, Março 19, 2012

Gato do mercado detido... no Casino

O gato acabou detido por um agente da PSP 

Um gato ruivo - suspeito de estar envolvido nos recentes assaltos ao mercado municipal (LER AQUI) - foi detido na noite de Sábado no Casino, após se ter introduzido, sem convite, num jantar de lampreia que ali decorria. 

O felino, já com antecedentes de intrusões em locais onde a maioria das pessoas não quer ou não consegue ir, foi detectado a sair subrepticiamente do Salão Caffé, exibindo na sua posse restos de lampreia que terá furtado da mesa de honra, mais especificamente do prato do Presidente da Câmara. 

Minutos antes, alguns convivas tinham já detectado o desaparecimento de algumas porções de lampreia, o que levou à constituição de uma 'task force' informal - constituída por um autarca de freguesia, dois padres e vários professores de diferentes níveis de ensino - no sentido de identificar o larápio. 

Sexta-feira, Março 16, 2012

Aqui há... gato?


Foi a história - a historieta, vá - do dia de hoje: parece que o mercado municipal foi assaltado. E parece que os assaltantes foram ao mercado não uma, mas duas vezes. Parece. E parece que das duas "vagas" de assaltos - coisa que, como se sabe, nunca é pequena, quando a "vagas" se associam "assaltos" - nem sinal dos assaltantes. 

Mas também parece que, afinal, não será bem assim, segundo reza a edição do Diário As Beiras: é que, fazendo fé nas declarações, reproduzidas pelo jornal, do presidente da associação de comerciantes do dito mercado, foi identificado um cúmplice, pelo menos da segunda vaga de furtos. 

E o cúmplice... é um gato! Um gato que mia e, coisa estranha, estava em cima do telhado! Isto até "alguém" pedir aos diligentes bombeiros para irem buscar o felino... 

Se o leitor já está de olhos esbugalhados, o melhor mesmo é reproduzir ipsis verbis as declarações da fonte da noticia, na parte em que relaciona o gato com a segunda onda de assaltos: "Pode estar no cinismo de alguém, para gozar com as pessoas, estabelecendo assim o início para assaltar as galerias - foi a partir desse momento que começaram a  ser assaltadas", conjetura. 

Trocando este português por miúdos: o gato foi posto no telhado por alguém (porque, enfim, é um gato e não conseguiria lá chegar sozinho) para, desse modo, esse alguém situar no tempo o início dos furtos. Infelizmente ficamos sem saber se era preciso o gato miar - e miou "durante dois ou três dias" - para o assalto ter início! 

Diz a mesma fonte, arriscando outra possibilidade para a onda de assaltos (e, com grande pena nossa, esta versão não inclui gatos): "Entendo a vaga de assaltos como uma forma de pressão para que as pessoas estejam mais disponíveis para saírem do mercado". Qualquer coisa como isto: os comerciantes vão sair para o mercado provisório em Maio e, entretanto, "alguém" - possivelmente o mesmo que pôs o gato no telhado - anda a assustá-los para que saiam mais cedo. Do estilo, fujam que vem aí a ladroagem! 

Voltando à questão "gato" que, convenhamos, tem infinitamente mais piada do que outra qualquer: embora o jornal garanta que o felino "não é suspeito" da onda de furtos, se fosse eu desconfiava. Afinal de contas, estamos a falar de um animal reconhecidamente independente, assim a modos que para o furtivo e um bocadinho anti-social. 

Depois, em redor do mercado municipal, o que não faltam são gatos. Às dezenas. Às centenas. Tantas vezes os vemos a espreguiçarem-se ao sol, no muro da antiga escola das "freirinhas", ociosos, os pilantras! 

Aliás, em rigoroso exclusivo para este blog (embora sob anonimato por temer represálias), um dos felinos assumiu suspeitar de outro, um tal de "ruivo", conhecido por deambular pela zona do jardim municipal, à cata de uma ou outra pomba mais distraída: "É um aventureiro, telhados é com ele. Ainda a semana passada esteve horas a miar no cimo do prédio ali do lado [ndr - o edifício O Trabalho] só para se armar", revelou. 

O suspeito em causa tem antecedentes de violência, embora num passado um tanto ou quanto longínquo: "Era o terror dos patos e dos peixinhos vermelhos do jardim, quando havia o lago e aquele fosso em redor do coreto. Agora não há lá nada, é uma tristeza, já nos prometeram o coreto de volta mas não há maneira", afirmou. 

A suposta ligação gato/assalto encontra ainda eco noutro felino, cliente habitual das bancas de peixe do mercado, adepto da teoria da "pressão" sobre os comerciantes e de outras teorias, todas elas conspirativas. "O que o meu amigo tem de fazer é investigar se o vice-presidente da Câmara tem gatos em casa! Vai ver que tem sim senhor, mas são gatinhos de companhia, não são gatos de rua. Se pusessem um gatinho desses num telhado, ele miava dia e noite, percebeu ou quer que lhe explique?", disse, assanhado. 

De acordo com esta fonte e seguindo a mesma linha de pensamento, o gato do vice-presidente da Câmara teria sido posto no telhado, para irritar os comerciantes, pela própria Protecção Civil municipal, depois de esta ter cumprido os afazeres diários relacionados com o boletim meteorológico. Ali ficou, sozinho, esquecido, amedrontado, a ponto de quase ter sido desmascarado e, não fosse a pronta intervenção dos bombeiros municipais - que realizaram um simulacro no telhado do mercado, incluído, à pressa, no programa do aniversário da corporação - teria dado com a língua nos dentes! Miaaaauuuuu! 

Quinta-feira, Março 15, 2012

O (ex) Centro de Congressos


A pedido de várias famílias, eis o sonhado Centro de Congressos da Figueira da Foz, (ante)projectado pelo arquitecto catalão Ricardo Bofill e nunca concretizado. Estávamos em 2001... e a desistência do sonho de Santana Lopes, orçado nuns valentes 14 milhões, custou, mais tarde, ao erário público umas centenas de milhar. Diz-se! Que transparente foi coisa que o processo (de desistência) nunca foi... com acordos sigilosos à mistura, como convém! 

Quarta-feira, Março 14, 2012

O sonho comanda a Câmara




Quando o poeta escreveu que «O sonho comanda a vida», não estaria, seguramente, a pensar que as suas palavras haveriam de servir para animar os debates executivos, menos ainda para nortear sucessivas gestões camarárias. E, todavia, assim parece estar a acontecer. Senão, vejamos: na última reunião de Câmara, a bancada do PSD criticou o gasto de 66.000 euros do erário público com prémios do concurso de ideias para o areal da praia, alegando que os projectos vencedores não passam, pelos custos que a sua execução acarretaria, de sonhos não exequíveis nas próximas décadas. O PS, agora no poder, contra-argumentou, pela voz do vereador António Tavares, com os sonhos laranja de mandatos anteriores, também eles pesados para o orçamento municipal, na época em causa a cargo do sonhador Pedro Santana Lopes. 
Miguel Almeida, antigo vereador de Santana, hoje seu chefe de gabinete, líder da concelhia social-democrata figueirense e eventualmente futuro candidato laranja à autarquia, ripostou com uma espécie de invocação do outrora legítimo direito de sonhar: os tempos eram outros, que é como quem diz que as vacas eram gordas, e havia expectativas de atrair investimentos que permitissem a concretização dos sonhos, fossem eles um centro de congressos ou outro qualquer megalómano projeto assinado por arquitecto de renome. 
Os tempos mudaram, é certo. Os sonhos, esses, permanecem, sucedem-se, acumulam-se, renovam-se… e pagam-se. Não apenas com o dinheiro que, como se sabe, escasseia nos cofres municipais como nos bolsos das famílias, mas com o capital de confiança dos eleitores, neste caso os figueirenses, cada vez mais cansados de verem os políticos que elegeram – ontem como hoje e previsivelmente amanhã – mais preocupados em justificarem o direito ao sonho do que em melhorarem a realidade dos seus concidadãos.
O sonho comanda a vida? Ainda bem. Mas não seria mais sensato, nesta altura, que a vida refreasse os sonhos? Pelo menos até que os portugueses em geral, e os figueirenses em particular, voltem a conseguir dormir e… a sonhar com dias melhores!

Segunda-feira, Fevereiro 20, 2012

O Coreto a desfilar...



Num desfile do Carnaval de Buarcos que registou uma das maiores enchentes de público dos últimos anos mas foi fraquinho no que à animação diz respeito - salvam-se as escolas de samba, para quem gosta do género - e ideias, piadas e disfarces (já não há pachorra para tanta troika), dois dos melhores carros (é subjectivo, eu sei, mas não sou jurado, posso opinar à vontade) dedicaram a atenção a assuntos locais. 
A associação Império Jovem (de Manuel Domingues, Tiago Cadima e companhia) construiu uma replica do antigo coreto do jardim municipal, e vai de por João Ataíde a pedir ajuda a Paulo Futre para cumprir e promessa de o recolocar no sítio... e este a propor um coreto... chinês! (Um bocadinho forçada a anedota, mas adiante)!
A réplica não incluía o fosso de água em redor, nem peixinhos vermelhos... mas os jovens do (anterior) império (e chega de analogias que já se sabe que os rapazes não têm nada a ver com uma qualquer juventude partidária e levam a mal a referência) acharam por bem levar dois (enregelados) patos para compor o quadro! O que, convenhamos, não teve piada nenhuma...! 

Sexta-feira, Fevereiro 17, 2012

Ai a matemática!

Ou, como depois dos comunicados 2.0 vieram agora os discursos 0.2... 
A política tem uma relação - como explicar isto? - assim a modos que distante da matemática. Uma ciência exacta, está bom de ver, não se coaduna propriamente com uma actividade - seja no discurso ou na prática do dia a dia - que de exacto (sim, e coerente, ordenada, blá blá blá) nada tem. 
Partindo desta premissa - politica vs. matemática = azeite vs. água - menos se compreende a verdadeira atracção que os números exercem (ou andam a exercer, nos últimos dias) na actividade política - ou espécie de... dizem as costumeiras más línguas - cá do burgo! 
Depois de 1/2 rei de Carnaval - embora se garanta por aí que a sua deslocação à Figueira vale por quatro (logo 4x) temos no horizonte 1/2 tolerância de ponto e, por via disso mesmo, mais um destaque a nível nacional ao nível da originalidade. 
Depois há os já famosos comunicados, em si mesmo um tratado de multiplicação, e, de quando em vez, sinónimo de divisões. Mas agora, por último, a equação parece (e é) ainda mais difícil: trata-se de pegar num discurso - e um dos bons, já agora - lê-lo sem o destinatário estar presente (coisas da política local... ah, perdão... da radioactividade que afecta os políticos locais), ser prendado com uma segunda hipótese (e não há fórmula matemática que quantifique a sorte), dividir a argumentação original em n pedaços, escolher dois ou três, transmiti-los outra vez... ufff... e, ainda assim, conseguir passar a mensagem! Impossível de acontecer... se a política fosse, como a matemática, uma ciência exacta! 

Quinta-feira, Fevereiro 16, 2012

Alguém tem uma moedinha?


Depois da coleta de moedinhas para o nosso Presidente da República, os figueirenses estão a pensar fazer uma “vaquinha” para comprar um calendário ao vereador António Tavares. Então não é que o responsável do pelouro da Cultura da autarquia marcou para as seis horas do próximo domingo (de Carnaval, claro está) – e no dia em que o desfile até tem rei – a apresentação do livro “Probabilidades – Pintura e Desenho”, de António Gonçalves?
Eventos destes já não costumam, infelizmente, ser muito participados, mas em Domingo de Entrudo atrevemo-nos a antecipar que nem a presença anunciada do escritor Valter Hugo Mãe vai evitar o embaraço de se prendar o autor do livro e o convidado especial com uma afluência fraquinha… É verdade que há muito quem não goste do Carnaval, mas esses, por norma, nem saem à rua nos dias de desfile…!
Se esta apresentação tivesse sido marcada para terça feira, ainda havia a desculpa de se estar a fazer fé (como no caso “Rei Futre”) na não existência de tolerância de ponto nem de corso carnavalesco… assim, é mesmo ausência de calendário!

Quais são as “Probabilidades” de não aparecer ninguém?

Oposição de ponta… pé!


Como que a mostrar que há, de facto, um novo alento, uma nova força na oposição camarária social democrata – numa segunda fase será anunciada uma qualquer vaga de fundo, querem apostar? - uma nova maneira de estar, uma nova forma de atuar politicamente (sim, sim, já chega)… o anunciado candidato à concelhia do PSD e vereador camarário, Miguel Almeida, decidiu demonstrar aos seus colegas de bancada como se resolvem problemas de forma… err… expedita, pronto!
O episódio passou-se momentos antes da última reunião de câmara: Teresa, João e Miguel viram-se, de repente, no corredor, impedidos de aceder ao seu gabinete, já que a vetusta porta teimava em não abrir. Lá apareceu uma funcionária, chave (mestra?) na mão, mas nada, nicles, batatoides… porta fechada. Alguém ainda terá adiantado a possibilidade de se chamar a Protecção Civil Municipal – a tal que, por estes dias, com novo comandante, parece ter renascido para a vida – mas, àquela hora, os meios operacionais estavam adstritos à medição da temperatura matinal e a hipótese gorou-se.
Miguel não se ficou: um encontrão e a velhinha porta – quem sabe conhecedora de que o vereador, ao contrário de tempos passados, ali pouco ou nada manda – nem se mexeu. À segunda tentativa, isso sim, a porta vergou… a pontapé!
Consta nos corredores do município que Miguel Almeida tem treinado afincadamente para deitar abaixo outras portas e que o episódio do gabinete da vereação foi só mais uma etapa num objetivo mais ambicioso.
Pelo sim pelo não, o presidente João Ataíde já chamou o homem das chaves e mandou reforçar as entradas do seu gabinete…!

Lembram-se do coreto?

Uma das mais emblemáticas (e estapafúrdias, vá) promessas eleitorais das últimas autárquicas disse respeito, como toda a gente tem bem presente, ao coreto do jardim municipal. Pois quis o azar que a lista vencedora tenha sido, precisamente, aquela que fez tal promessa. E, de tempos a tempos, lá (re)aparece o coreto como que a assombrar João Ataíde e companhia.
Desta vez foi na sessão de apresentação pública dos projectos de requalificação urbana: estava a plateia mais ou menos em sossego - salvo a costumeira intervenção do representante dos comerciantes do mercado e uma outra sobre se a obra inclui ou não casas de banho (!) - quando se ouviu uma voz a reclamar, precisamente... o coreto!
Apanhado de surpresa pelo tema, o presidente da Câmara foi lesto a responder, sim... mas com uma replica que ainda lhe vai trazer engulhos: "Se me disser onde por o coreto, podemos pensar nisso!". Contra argumentou, de pronto, o municípe: "Não fui eu que o prometi, sr. dr".
A afirmação de João Ataíde - comparada com a promessa eleitoral de devolver ao jardim o coreto -  dá azo a várias constatações: se é certo que o layout, o desenho, a organização do espaço do jardim municipal é exactamente a mesma que era em 2009... será que os estrategas da campanha socialista nunca tinham lá posto os pés? Se o coreto não cabe lá agora, como cabia na altura, e tanto cabia que o prometeram?
E outra: a avaliar pela disponibilidade manifestada, daqui para a frente o que não vai faltar na autarquia é uma verdadeira democracia participativa, ao estilo "damos crédito às sua ideias" (há um banco qualquer que já se lembrou desta, aposto). Já estamos a ver a senhora Câmara Municipal transformada numa espécie de
assembleia magna da Associação Académica de Coimbra, onde qualquer maluco propõe o que lhe apetece e, se a proposta for sufragada pela maioria, a direcção (que remédio) tem de a cumprir. Ou, pelo menos, fazer que cumpre!
O coreto, como a aldeia do mar, como o festival de cinema, o mundialito de futebol de praia, ou os livros grátis para todas as crianças da primária serviu um e um só propósito... caramba, havia que encher de ideias e frases atractivas cartazes de oito por três metros, não era? Era.

Quarta-feira, Fevereiro 15, 2012

Requalificação urbana: a obra do regime

À entrada de 2012 - e finalmente, dirão alguns - parece que é desta que os atribulados projectos da requalificação urbana, sonhada mas não concretizada no anterior mandato, finalmente arrancam. Em obra, isto é! Se estão ou não concretizados no final do (optimista) prazo, no verão de 2013... isso já são outros quinhentos! 
Quer-me parecer - salvo um cataclismo qualquer, que, a acontecer, daria de vez cabo do também atribulado mandato do executivo socialista - que a obra do mercado será aquela mais provável de concretizar durante o próximo ano e picos. Quanto mais não seja pela  (inevitável) pressão da comunidade, e nesta não se incluirão, somente, os comerciantes do espaço. 
Já a obra de requalificação da envolvente do forte de Santa Catarina, embora igualmente sujeita a apertados prazos, será, por assim dizer... uma incógnita. À distância de 15 meses, dificilmente alguém conseguirá adivinhar se tudo o que está no projecto será (ou não) realizado. Embora não faltem já aqueles que apostam que meados de 2013 é uma meta impossível de cumprir. 
Paradoxal, no entanto, é que a requalificação urbana, obra do regime anterior, possa aparecer, agora, como obra maior do actual regime. 
Ou a prometida aldeia do mar transformada em lago, o espelho de água em redor do forte. É a crise? 

Quinta-feira, Fevereiro 09, 2012

O Carnaval (mas agora a SÉRIO)

O recente episódio do Carnaval de Buarcos-Figueira da Foz, também conhecido por "Paulo Futre, rei por um dia", presta-se a um sem número de piadas e críticas que, envolvidas no espírito da época, parecem incorrer num pecado antigo: o de, distraídos com o supérfluo, descurarmos o essencial. E aqui, como em tantas outras situações, o cerne da questão é a VERDADE e o que se escolhe fazer com ela: assumi-la, escondê-la ou instrumentalizá-la.
Na conferência de imprensa de apresentação do programa do Carnaval o desfile de terça-feira foi condicionado à concessão da tolerância de ponto pelo Governo, numa altura em que se adivinhava que nem a Troika nem Passos Coelho estariam inclinados a autorizá-la.
Tivesse sido tudo assim tão linear e nunca a ausência do anunciado rei Futre teria sido um problema, porque nem sequer seria questionada (se não há desfile na terça, não é preciso rei nem rainha... nem o senhor de La Palisse faria melhor)!
A isso, porém, chama-se bluff ou, em português mais prosaico, contar com o ovo no dito cujo da galinha, algo que não costuma ter bom desfecho.
Não teve, como se viu. Serviu, porém, para confirmar que há realmente, neste executivo camarário, uma relação instrumental com a verdade, a lembrar as estratégias dos advogados de defesa: só se dá a conhecer os factos que interessam e que servem a versão que querem ver (a)provada.
O que importa, agora, saber é:

1) Está o presidente da Câmara da Figueira por trás desta opção de servir a verdade às fatias, tipo pizza, consoante a necessidade da opinião pública?
2) Ou – o que será eventualmente pior – não estava de todo a par do que se passava?
3) Ou – definitivamente mais grave - terá delegado noutros a decisão, por excesso de confiança ou para se preservar de poder ser acusado de mentir (como foi) ou de pelo menos omitir a verdade?

Quem conhece João Ataíde como autarca sabe que há duas maneiras de o "tirar do sério": questionar a sua honorabilidade ou tentar acusar/lesar de qualquer forma aqueles que lhe foram leais ou tomaram alguma decisão sob sua tutela. 
Assim, pela honorabilidade, que até agora não hipotecou, parece afastada a primeira hipótese. Pela inteligência, ainda que manchada por uma cada vez mais flagrante falta de traquejo político, afastamos a segunda. Resta, assim, a terceira: Ataíde confiou a terceiros da sua confiança, passe a redundância, não apenas a negociação do dossiê do Carnaval mas também a gestão da sua comunicação. E, quando tudo correu mal, manteve-se fiel a si próprio, tentando emendar a mão sem servir a cabeça de ninguém na bandeja.
De arranjar bodes expiatórios (para além dos jornalistas, mas esses já estão habituados, embora declaradamente não gostem - alguém gosta? - de serem enganados e ainda levarem com a culpa do "engano") ninguém pode acusar João Ataíde. Mas há um problema nesta postura do presidente da Câmara - é que tem tanto de nobre como de eventualmente ingénua e até perigosa. 
Sabendo que contam com a sua protecção, manifestada até de forma irada em reuniões de Câmara se preciso for, aqueles que trabalham com ou para João Ataíde podem cair na ilusão da impunidade. E isso pode dar (tem dado?) origem a muitos problemas, de directores de departamento cujo voluntarismo desafie a lei a técnicos que forcem pareceres favoráveis aos intentos do chefe benevolente e protector.
Na ânsia de agradar ao presidente – mas eventualmente também porque o risco de se comprometerem é mínimo – os seus colaboradores e subordinados podem ser tentados a tudo: até a esticar ou a encolher a verdade, conforme a conveniência. E isto é tão mais perverso quanto, em última análise, pode ser usado, de dentro, contra o próprio João Ataíde. Com a certeza de que o presidente nunca entregará ninguém numa bandeja, seja ele João Baptista ou Judas Iscariotes.